Educação Ambiental em Sergipe
Esse blog está constituído como espaço de interlocução para discussão sobre as questões relacionadas a educação ambiental. A iniciativa foi gerada a partir de um curso sobre Educação Ambiental nos Ensino Fundamental e Médio, promovido pelo Sintese. Tem por objetivo se consolidar como espaço virtual de discussão e divulgação de trabalhos no ensino formal.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Normas o jogo do mercado
ESTUDO DO MEIO: TEORIA E PRÁTICA
Nídia Nacib Pontuschka2
RESUMO
O Estudo do Meio pode ser compreendido como um método de ensino interdisciplinar que visa proporcionar para alunos e professores o contato direto com determinada realidade, um meio qualquer, rural ou urbano, que se decida estudar. Esta atividade pedagógica se concretiza pela imersão orientada na complexidade de um determinado espaço geográfico, do estabelecimento de um diálogo inteligente com o mundo, com o intuito de verificar e de produzir novos conhecimentos. Entende-se, e este é o objetivo deste trabalho, que a realização dos Estudos do Meio, em todos os níveis de ensino, mas particularmente na educação básica, pode tornar mais significativo o processo ensino-aprendizagem e proporcionar aos seus atores o desenvolvimento de um olhar crítico e investigativo sobre a aparente naturalidade do viver social. Trata-se de verificar a pertinência e a relevância dos diversos conhecimentos selecionados para serem ensinados no currículo escolar e, ao mesmo tempo, lançar-se à possibilidade da produção de novos conhecimentos, a elaboração contínua do currículo escolar. Ancoradas em reflexões teóricas e em experiências recentes, na condição de participantes e na condição de organizadores e coordenadores dessas atividades, tenciona-se contribuir para a melhoria da formação do professor e, mais amplamente, para a melhoria da educação em nosso país no presente momento histórico.
Palavras-chave: Estudo do Meio; Ensino de Geografia; Interdisciplinaridade; Formação de professores.
http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/geografia/article/view/2360/3383
terça-feira, 6 de julho de 2010
Sala Verde da UFS
A partir de uma das ações do Ministério do Meio Ambiente foi criado o programa “Sala Verde”, cuja proposta foi à implementação de espaços que constituam potenciais centros de informação e de Educação Ambiental no país, além do reforço às estruturas já existentes em diversas instituições. No edital lançado pelo MMA para abertura de Novas Salas Verdes em 2005, a Universidade Federal de Sergipe concorreu e foi contemplada com Projeto “Sala Verde na UFS”, ligado à Pró-reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários e com a participação da aluna Camila.
A “Sala Verde na UFS” visa à democratização do acesso às informações, materiais e publicações sobre as questões ambientais e também oferecer atividades diversas voltadas à Educação Ambiental (como cursos, palestras e oficinas), que estimulem o auto-gerenciamento de maneira que, quando a equipe da Universidade sair do projeto, eles possam continuar trilhando caminhos em busca de um ambiente sadio e socialmente justo.
http://www.ufs.br/salaverde/
Na Rio-92 muitos tratados e convenções foram negociados e assinados, muitos encontros e desencontros aconteceram que enriquecem a história do nosso movimento.
Evidentemente que a educação ambiental e muitos de nós estiveram presentes de uma forma ou de outra nesses debates. Uma análise mais pessimista desse movimento afirma que nada mudou desde então. Uma análise mais otimista afirma que mudanças significativas aconteceram, embora com processos e procedimentos questionáveis.
Tendo como base essas correntes de opinião facilmente localizadas nas conversas, discursos públicos e literatura especializada, gostaria de abordar alguns aspectos das duas.
Na vertente pessimista podemos concordar que nada mudou. O mundo presencia uma escalada de barbárie e de totalitarismos, organismos internacionais como a ONU estão completamente controlados pelos EUA, a violência com que grupos e Estados reivindicam e impõem suas idéias está numa escalada que desafia nossos limites diariamente. Do Burundi à Colômbia, da Rússia ao Sudão, do Oriente Médio aos Estados Unidos, da ex-Iugoslávia a Angola, em Madri e na Cidade Maravilhosa estamos prisioneiros não só dos nossos medos e paranóias, mas também da paranóia e da possível barbárie do nosso vizinho. Países pobres continuam investindo maciçamente em armas cada vez mais destrutivas e a velha e temida bomba atômica lançada pelos EUA sobre a população civil de Hiroshima e Nagasaki, ainda é considerada um instrumento de soberania nacional. A Amazônia continua a ser desmatada com índices alucinantes e parece não haver mais dúvidas quanto ao aquecimento global.
Empresas relacionadas com o grande capital e nada ecológicas como a indústria dos agrotóxicos, automobilística, de sementes transgênicas e os bancos tomaram posse das noções de desenvolvimento sustentável e de responsabilidade social, amplamente difundidos por seus departamentos de marketing e relações públicas financiando e apoiando atividades e grupos históricos da educação ambiental.
Partidos políticos nos quais podíamos depositar alguma confiança em busca de uma sociedade planetária mais justa e sustentável como o Partido Verde alemão, Partido Trabalhista inglês e o Partido dos Trabalhadores no Brasil se renderam ao credo militarista e desenvolvimentista, abandonando sua tradição e legado histórico pacifista e emancipatório.
No Brasil o programa político do PT passou a ser elaborado em agências de publicidade em aliança com as grandes instituições financeiras e redes de comunicação.
Nesse quadro não temos como discordar dos pessimistas, e podemos dizer que no melhor dos casos a educação ambiental ainda se encontra na fase inicial do seu projeto de construção de uma sociedade justa, pacífica e sustentável. Entendida como educação política, a educação ambiental deve aglutinar forças, dialogar, aproximar e aprender com os movimentos sociais que se organizam no mundo todo, que são contrários ao modelo político, econômico, social, cultural e ecológico do totalitarismo capitalista.
Aqui temos que enfatizar que somos herdeiros do legado de Paulo Freire e continuadores de sua obra e que apostamos na pertinência política e pedagógica do Fórum Social Mundial de Porto Alegre.
Como fazer isso? Essa é uma questão que precisamos ter em mente e discuti-la nesses dias cariocas e nos próximos anos.
Na perspectiva mais otimista, podemos também concordar que aconteceram mudanças e avanços significativos: o movimento internacional da educação ambiental ganhou legitimidade nas agências internacionais, nos ministérios, nas instâncias públicas, nas universidades, nas associações cientificas, nos meios de comunicação de massa, nos movimentos sociais, etc. No entanto, esse entusiasmo deve ser sempre relativizado, pois a educação ambiental que obteve maior legitimidade e visibilidade é aquela que não coloca em xeque o modelo de desenvolvimento econômico, o modelo de representação e participação política, nem os fundamentos político-pedagógicos no cotidiano das instituições escolares e acadêmicas. No aspecto mais científico da educação ambiental é de se perguntar quais são as rupturas teóricas e metodológicas com os paradigmas hegemônicos que têm sido realizadas e quais as possibilidades de construção e sobrevivência de perspectivas teóricas e metodológicas radicais que não contam com o apoio e o poder simbólico das mais conhecidas instituições, universidades, agências de fomento à pesquisa, editoras e revistas especializadas “indexadas”.
Nesse contexto, creio ser cada vez mais importante que todos nós envolvidos com a educação ambiental nas universidades, institutos de pesquisa, ONGs e instituições públicas tenhamos claro a importância da competência técnica. Precisamos deixar de lado as explicações e argumentações ingênuas (embora ricas em capital simbólico) que são amplamente difundidas no nosso meio.
Só uma perspectiva transdisciplinar que alie as contribuições dos diversos saberes, sensibilidades e vivências poderá nos garantir um mínimo de competência técnica. É necessário pesquisar, estudar, dialogar, ampliar os nossos argumentos com base no que há de sólido e pertinente na cultura, nos movimentos sociais e na produção científica contemporânea. É necessário produzir conhecimentos e intervenções pedagógicas que levem em consideração as particularidades e singularidades culturais, políticas, sociais e ecológicas.
Mas a competência técnica, da qual as universidades e institutos de pesquisa têm grande responsabilidade, não pode de forma alguma estar desprovida do compromisso político de construção de uma sociedade sustentável, essa entendida como uma sociedade justa, livre dos totalitarismos e do controle dos corações e mentes. Quando falamos em compromisso político precisamos ter claro que nos referimos ao compromisso político que tem como princípio o direito à vida das diferenças, dos desviantes, dos “indisciplinados”. Nosso compromisso político é aquele com a possibilidade de ampliar a influência, presença e intervenção dos/das excluídos dos espaços de definição de diretrizes e políticas públicas, locais, nacionais e planetárias. A competência técnica e o compromisso político da educação ambiental devem aprofundar e tornar públicas as noções de autonomia, responsabilidade, justiça e pacifismo.
Nesse sentido, creio que o grande desafio à educação ambiental é ampliar as noções políticas e existenciais da vida, como direito e valor universais e continuar leal aos princípios que fizeram até o momento a sua história e legitimaram a sua pertinência.